Katia Politzer

Técnica Técnica

O vidro é um material cerâmico transparente, de elevada dureza, essencialmente inerte e biologicamente inativo, frágil por quebrar com facilidade, com tempo indeterminado de permanência no meio ambiente, que pode ser fabricado com superfície muito lisa e impermeável ou pode adquirir variadas formas. É um dos materiais mais recicláveis que existe no consumo humano: é basicamente areia derretida a cerca de 1500°C. A areia do mar contém todos os ingredientes necessários para a fabricação do vidro – sílica, carbonato de cálcio e sódio ou potássio. As matérias-primas que o compõem são os vitrificantes, fundentes e estabilizantes, como areia, calcário, barrilha e alumina. As cores são obtidas através de óxidos de metais que se misturam à composição, como por exemplo, óxido de ferro (vermelho), de cromo (verde), de titânio (branco).

Pequeno Histórico

O vidro, chamado de “água sólida” pelos antigos, tem várias lendas a respeito de sua invenção. A mais conhecida é a de Plínio, o Velho, segundo a qual mercadores fenícios que acampavam numa praia, prepararam sua comida em fogueira protegida por pedras de carbonato de sódio, muito usado na mumificação de corpos. No dia seguinte, descobriram no meio das cinzas pequenas bolinhas brilhantes, que seriam o resultado da fusão da sílica (areia) com o carbonato. Hoje sabe-se que esse fato seria impossível porque o calor da fogueira não atingiria a temperatura necessária para a fusão do vidro.

O mais provável é que o vidro seja um subproduto da cerâmica egípcia ou fenícia. Milhares de anos antes de Cristo os egípcios já fabricavam a “pasta egípcia”, cerâmica auto-vitrificada. Provavelmente depois de algumas mudanças da fórmula, chegaram à pasta de vidro, usada sempre sobre uma base cerâmica.

Por volta de 1500 a.C. o vidro deixou de ser aplicado sobre base e tornou-se independente. A produção era basicamente de peças pequenas, imitando pedras preciosas, feitas em moldes abertos. Também faziam os “lacrimatórios”, que eram pequenos vasos onde recolhiam as lágrimas dos parentes e que eram colocados nas tumbas, acompanhando os mortos. Eram feitos com saquinhos de areia e barro, onde enrolavam tiras de vidro. Depois da queima, quando esfriavam, a areia era retirada.

Nessa época os vidros eram alcalinos e sem muita transparência. O nome vem de Al-Kali, planta do litoral egípcio cujas cinzas eram tratadas até se transformarem em sal de sódio. Na costa da Espanha havia a barrilha, que fazia o mesmo papel.

A grande inovação na técnica do vidro deu-se em 331 a.C., com a invenção do soprado na cana e recozido, na Síria. Em 200 d.C. foi o apogeu dos vidros judeus e paleocristãos, inclusive usando inclusões de ouro. Em 500 d.C. foram feitos os mosaicos de vidro da Catedral de Ravena. Em 1250, o rei S. Louis constrói a Sainte-Chapelle em Paris, uma verdadeira renda de vitrais. Em 1291 são criadas as fábricas na ilha de Murano. Em 1672 o inglês Ravencroft inventa o “flint-glass”, com óxido de chumbo. Até então só havia vidros alcalinos, compostos de quartzo, silicatos de cálcio, alumínio e magnésio, tendo como fundente o sódio.

Na Idade Média inventou-se o “wald-glass”, cujo fundente era o potássio, muito mais duro que o sódio. Nos fins do séc. XVII aparece o cristal da Boemia, potássico. Uma grande inovação técnica foi o vidro prensado, no séc. XIX, que consiste de uma matriz e uma punção. O vidro derretido, a 1100°C, é colocado na matriz e apertado com a punção. São sempre grossos, como, por exemplo, os “bicos de jaca”. Hoje usa-se jato de ar quente em vez de punção.

Hoje existem vidros anti-reflexo, anti-riscos, resistentes à bala ou ao fogo, antivandalismo, aramados, metalizados e fotoenergéticos, entre outros.

O vidro hoje é também muito utilizado na Informática, através da fibra ótica, que é um filamento flexível e muito fino, constituído por um vidro ótico puro, que permite a transmissão de informação digital e sinais de luzes ao longo de grandes distâncias.

Características do vidro:

  • Impermeabilidade
  • Higiene
  • Transparência
  • Nobreza
  • Versatilidade de formas
  • 100% reciclável

Tipos de vidros:

  • Opalina – cristal de chumbo e fosfato da cal, colorido ou não, muito usada no séc. XIX.
  • Policromos – massas vítreas, geralmente em várias camadas de cores diferentes, que devem ter os mesmos coeficientes de dilatação e de retração.
  • Overlay – duas ou mais capas de vidro modeladas em cana ou prensa, onde se retira a capa de fora por abrasão, ácido fluorídrico ou gravação. Os vidros de Gallé são desse tipo.
  • Jaspeado – é feito pegando, com a cana, um pouco de várias cores e na última caçamba, agitando bem para misturar as massas.
  • Cristal com óxido de prata – apareceu em época mais recente, extremamente brilhante, usado em pequenos objetos por causa do alto preço.
  • Vitral – pedaços de vidros coloridos cortados e montados formando desenhos, utilizando chumbo para fazer a ligação entre eles.

Técnicas mais usadas:

  • Fusing – placas de vidro plano ou objetos de vidro reciclados fundidos sobre formas refratárias fabricadas pelo artista. É possível aplicar óxidos, corantes ou esmaltes (de porcelana, de cerâmica, de metal ou outros que fundam a cerca de 800°C) diretamente sobre o vidro ou fazer sanduiche com duas placas de vidro colocando o esmalte entre elas, antes da queima. Os fornos podem ser elétricos ou a gás, e devem chegar a 850°C e esfriar lentamente.
  • Sopro – a ponta da cana é mergulhada no vidro fundido, retirada rapidamente e girada para formar uma bola de matéria incandescente. Soprando na cana e girando-a sobre uma placa de ferro, a bola se avoluma até assumir a forma desejada pelo vidreiro.
  • Tocha – tubos ou bastões de vidro derretidos com o uso de maçarico de oxigênio, ar e gás, para serem esculpidos ou soprados.